Caxola

Idéias flutuam pela ruas da cidade. Nadam pelos ares em busca de ouvidos atentos e ansiosas por olhos curiosos. Meu prazer voluntário é capturá-las, vesti-las de sedas e traduzi-las em palavras. No Caxola, a beleza acre do cotidiano veste traje de gala.

quarta-feira, junho 07, 2006

Verbetes

Na claridade havia palavras. Doces ou duras palavras. Mas, ao menos, havia palavras.

Palavras soltas corriam ao vento. Encontravam seus ouvidos. Caiam macias. Saiam perfumadas. Podia ocorrer de virarem sonoras risadas. Mas, ao menos, havia palavras. Palavras de ofensa tropeçavam pelos cantos. Tateavam seus ouvidos. Despencavam grosseiras. Saiam atrapalhadas. Podia ocorrer de virarem caras amarradas. Mas, ao menos, havia palavras.

Na escuridão não as tenho. Espalmo minhas mãos atrás das orelhas. Mas não as ouço. Abro meus lábios, articulo sílabas. Mas não as posso pronunciar. Eis que no breu, velhos amigos, não há palavras. Não há canduras. Nem xingamentos. Só o silêncio. E ele me ensurdece. E ele me emudece.

Às saudades. De tudo. E de todos. Que ficaram na estrada. À falta que sinto dos distantes amigos do peito.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

é um jogo de palavras com palavras soltas que criam outras palavras.

simplesmente gostei. não é por nada.

08 junho, 2006 04:24  
Anonymous Anônimo said...

Merci.

Saudades de ti também, Bene.

Tomara tuas férias em São Paulo cheguem logo ;)

08 junho, 2006 09:40  
Anonymous Anônimo said...

Carolzinha! Lembrei de uma coisa, aparece no msn uma tarde pra gente se falar =)
Bjo!

12 junho, 2006 16:53  

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